A História do surf na Gaivota VOLTAR

Por: RICARDO ALVES
macuco@nyx.com.br

Acredito que é preciso resgatar a memória das coisas para entendermos o que se passa nos dias de hoje, e escolhi um dos esportes mais praticados da região para tal. Há mais de duas décadas o surf é praticado na Gaivota, mas foi bem antes que o esporte chegou no local. Foi em 1967 com o primeiro surfista da região, o atual prefeito de Sombrio Podinho, que fascinado com as primeiras informações do esporte, colocou para correr nas espumas da praia uma prancha de madeira de dois metros e meio. Devido ao peso e as dificuldades claras de surfar na geringonça, acabou desistindo.

Só na metade da década de setenta surgiram outros a encarar a empreitada. Sérgio, Dedeco e Arninho, aproveitando a vinda das pranchas de fibra para o Brasil e também de equipamentos básicos de segurança, puderam usufruir dos prazeres do novo esporte e mostrá-lo aos veranistas da Gaivota. Vale lembrar que o mar era maior que hoje, quebrando quase todos os dias lá fora. O fundo começou a se modificar no início da década de noventa, tornando cada vez mais raro mares desse tamanho. A geração seguinte, que tinha como destaque Giovani, Edie, Carlinhos e Disão, atualmente residindo(e surfando!) nos Estados Unidos, trouxe a evolução para cá. Passaram a fazer manobras, e não apenas correr a onda, como era feito até o momento. Em 1980 aconteceu o primeiro campeonatos na praia, o I Gaivota aberto de surf, iniciando a primeiras das dezesseis edições do evento realizadas até hoje. Isso possibilitou aos surfistas locais o intercâmbio com surfistas das praias vizinhas, como Arroio do Silva, Rincão e Torres. As informações eram escassas na época, pois as únicas publicações à respeito eram estrangeiras. A Fluir surgiu só em 1983.

Ao longo da história desse evento, excelentes surfistas passaram por aqui. O surfista do Rincão Edson Gaidzinski, o Cabeça, venceu seu amigo Ferrugem numa disputada final em 86. Outro grande destaque, já em um evento organizado pela AGS(Associação Gaivota de surf), foi quando o gaúcho Rodrigo Dornelles, de Torres, deixou todos boquiabertos com um arsenal variado de manobras, vencendo a júnior(até 18 anos) e a open(aberta) nos abertos de 89 e 90, isso com apenas 15 anos. Hoje, Dornelles é um dos melhores surfistas do Brasil. A AGS foi criada em 18 de julho de 1988 com o objetivo de estruturar o esporte na Gaivota, realizando eventos até hoje. Assim ficou definido que os surfistas locais, além do evento aberto, se confrontariam também em eventos fechados. Os melhores da praia há dez anos, eram Disão, Giovani, Carlinhos e Cássio. Nesta época, todos começaram a notar o talento natural de um moleque franzino chamado Alexander Garcia, o Biga. Em 89, com dois anos de surf, Biga foi campeão mirim fazendo um surf jamais apresentado por alguém tão novo na Gaivota. É sem dúvida o melhor surfista da Gaivota de todos os tempos, acumulando ao longo dos anos vários títulos no sul do estado e por nove vezes campeão open da AGS. Na mesma geração, surgiram alguns garotos bons também, como Marcelo de Lucca, Luciano Alves e Charles Borba, hoje, junto com Leonardo Lumertz e Jeferson Rocha, são os melhores na praia. Apesar do sucesso alcançado pelo Biga, os surfistas locais não se interessaram muito pelas competições, apenas competindo em eventos no extremo sul.

Outros surfistas que por aqui passaram, como Marco Polo, Carlos Santos, Fábio Carvalho e, Raphael Becker, todos de renome no país, influenciaram e continuam influenciando a nova geração do surf na Gaivota, que deve continuar a trajetória desse esporte saudável no Balneário Gaivota. Paz e boas ondas.


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