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TREZE DE MAIO

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A Verdadeira História de Treze de Maio

Por muito tempo, versões erradas baseadas na dedução de um desconhecido historiador confundiram a verdadeira origem da cidade e da população de Treze de Maio.

Hoje sabemos que o Núcleo Presidente Rocha, primeiro nome da localidade, depois substituído pelo topônimo Treze de Maio, foi um prolongamento da Colônia de Azambuja, limitando-se ao Leste e Sudeste com a Sesmaria dos Medeiros cujo limite (travessão) atualmente é marcado pela Avenida Sete de Setembro. Foi fundado em 1887 pela Comissão de Terras e Colonização na pessoa do Engenheiro Francisco Ferreira Pontes. A Comissão era o órgão encarregado de medir e demarcar lotes rurais, receber os imigrantes e assenta-los em seus lotes, dando-lhes assistência nos primeiros meses.

Esta Comissão instalou-se em Tubarão, em 09 de novembro de 1886, assim constituída: Diretor; Eng° Francisco F. Pontes, Eng° Ajudante; Arthur Ferreira Paiva, Agrimensores; Antônio Lopes Mesquita e Daniel Müller das Chagas, Escriturário; Cel. João Cabral de Mello (esta comissão havia fundado, em 1885, o núcleo Accioli de Vasconcelos, hoje Cocal).

O levantamento topográfico finalizou-se em 1885, sob a chefia do Eng° Reginaldo Candido da Silva. Área inicial discriminada para a demarcação dos lotes rurais: 3.586 hectares. Para a sede (centro) deste novo núcleo foi reservado um quadro de 121 hectares. É o tão badalado “quadro” que originou a distorção na redação da história e que nunca foi nome do lugar e sim um “apelido” utilizado na época. Era um retângulo de 1.100 x 2.200 m², exatamente quatro lotes rurais.

Segundo a errônea história contada no passado, o “quadro” era uma área destinada aos ex-escravos, os quais não gostando do local, o abandonaram. Os italianos teriam ocupado o terreno dali em diante e em homenagem a data da abolição, denominaram de Treze de Maio.

Mas sabemos que o Governo não concedeu nenhuma terra aos libertos. A Lei Área simplesmente aboliu a escravidão deixando os libertos sem terra, sem teto e ao desamparo.
Ademais o Núcleo Presidente Rocha, fundado em 1887, antes da abolição, sediou os pioneiros predominantes italianos, seguidos de nacionais e alguns alemães, sem a participação de mão de obra escrava. A população naquele ano chegou a 469 habitantes.

Assim sendo é inconcebível, sob o ponto de vista histórico, que no Brasão do município haja uma figura humana, com braços levantados, exibindo grilhões quebrados, figura completamente anti-heráldica, nem tão pouco a estátua com as mesmas características na praça em frente à Igreja Matriz.

A substituição do nome original ocorreu após a abolição. Supõe-se, já que não existe documento comprobatório, que tenha sido uma bravata de algum exaltado e influente abolicionista, que impôs de cima para baixo, de forma aleatória, sem o mínimo dado básico relacionado a sua história.

Também não faz sentido a versão que no dia 13 de maio aconteceu o encontro dos italianos com os brasileiros no “quadro”, pela simples constatação que o nome dado na fundação era “Presidente Rocha” em homenagem ao presidente da Província de Santa Catarina Francisco José da Rocha. A denominação da tão confusa data é posterior à fundação do Núcleo.

Os Italianos Giovani Bonelli e Luigi Formentin lideraram, em 1892, a construção da primeira Capela do “quadro”, feita de ripas de palmito, coberta de palha e amarrada com cipós, por este ato foram considerados fundadores de Treze de Maio.
Um fato considerado importante para o historiador Amadio Vetoretti é que Treze de Maio foi fundado no ano de 1887, um ano antes da abolição da escravatura, sendo que nunca existiu escravos na área de Treze de Maio. 



As Tradições Italianas
Treze de Maio, a pequena Itália


Apesar de a colonização de Treze de Maio ser feita também por Açorianos, atualmente a maioria dos moradores são de origem italiana e cultivam as tradições de seus antepassados. Preferem um bom vinho de preferência fabricados colonialmente, cantam músicas italianas e mantém a gastronomia típica da terra de origem. Existe no município muitas casas de origem italiana construídas a mais de 100 anos. 

A tradição italiana é tão grande que a primeira escola de alfabetização instalada no município foi em idioma italiano, isso aconteceu em virtude do governo brasileiro não ter na época condições de instalar escolas na maioria das regiões brasileiras.

Então em 1905, o rei Vitor Manoel, nascido em Napolis, organizou a primeira escola do município, sendo seu primeiro professor nomeado o imigrante italiano Sr. Bortolo Raviani, que estudou na Itália. Esta escola foi instalada em sua própria casa, onde fica hoje o hospital da cidade.

O professor sempre recebeu ajuda com materiais didáticos do Governo Italiano. A escola existiu até 1914, quando o Governo Brasileiro teve condições de criar a primeira escola em linguagem portuguesa. A escola italiana acabou, mas existe muitas pessoas que ainda falam italiano e a língua italiana é matéria obrigatória nas escolas municipais de Treze de Maio.

Fonte: Artigos do Historiador Amadio Vetoretti
Pesquisa: Silvano Cardoso da Silva 

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